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É preciso estar atento e forte: a má notícia é que as coisas mudam. Calma, a boa notícia é que as coisas mudam.
No meio disso tudo, eu escrevo...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ah, agora que falei que a inspiração não veio, a maldita apareceu. Sempre assim né, as coisas aparecem quando menos se espera... aí você nem sabe o que fazer com elas mais!
Vou guardar a ideia no rascunho, escrevo e depois posto, assim como os outros textos.
Meu ipod está lotado, inspiração!

 Pensei melhor e resolvi deixar aqui um pouquinho do que anda na minha cabeça e eu acabo postando no youtube Essa é antiguíssimo, mas vi de novo hoje e lembrei do quanto gostava da sensação que me despertava. Não, não sou profana, sou de escorpião. E o desejo não sabe como nem em quem arder, por isso vai respingando por aqui:

antigo, de novela, mas sempre faz bem, né?

 Ando tão assim, que nem sozinha tenho ficado mais. Almoço acompanhada, minha cama está sempre preenchida com mais um corpo. É, parece que eles não me dão paz nem nos meus próprios pensamentos! E eu não posso reclamar...
Passando rapidinho, entre uma prova, um suspiro, um tanto de cachos e os planos de melhorar.Dei uma estagnada, meus textos pararam, tenho mais é lido o dos outros.
Por enquanto está um desânimo tão grande, que nem dele dá pra falar, fazer virar texto pra descarregar.
Dando uma atualizada, os textos não se enviam sozinhos, e prometo que venho com coisa nova. Prometo Ninha, prometo!

Calça de moletom cinza larga, blusa branca caída nos ombros porque  
ela mesma cortou com tesoura. Pintora, umas unhas roídas, outras  
grandes pintadas de vermelho, as vezes descascando.
Mora num apartamento minúsculo com Madeira bem envernizada. Dois  
andares: o de cima basicamente quarto, escritório e banheiro, dando  
vista pro de baixo, uma área ampla sem divisões, onde ela espalhou  
suas telas e respingou tinta por todos os lados. Só fica salva da  
bagunça a cozinha, apesar da geladeira que foi aberta com mãos  
manchadas, e é coberta de desenhos e lembretes. Memória fraca, muita  
coisa a fazer, um poema com autor desconhecido. Um desenho da  
sobrinha. Ela mesma é solteira, com seus casos e descasos amorosos.  
Misteriosa, atrapalhada daquelas que fecham a porta do forno com um  
chute e dorme com a roupa do corpo. Diz que não usa celular, que não  
acredita na tecnologia caótica só pra ser mais exótica. Tem um  
aparelhinho simples, mas não gosta de ser perseguida. Usa um telefone  
bege fixo com viva-voz, apoiado num banco alto no meio da sala; uma ou  
duas mensagens quando chega em casa.
Almoça comida congelada, assiste tv tomando sorvete direto no pote e  
ama rir. É, quando fica alegre balança os cachos castanhos e olha pra  
cima. Da pulinhos, ou rola, ate ficar de cabeça pra baixo, vendo como  
tudo fica mais atraente quando fica do jeito que não é. 
Do jeito dela, como seria?

segunda-feira, 29 de março de 2010

 
 
Pega um cigarro. 
Prometeu a si mesma que nunca passaria de 3 por dia. 
Vem cumprindo bem: só fuma quando está num estress muito grande,
daqueles nada construtivos, e para não destruir as oportunidades,
a mesa, a cabeça, dá o primeiro trago: calmo, sereno, pensante.
Pensando bem é o segundo cigarro; precisou de estímulo pra levantar da cama
e encarar o dia que começava. Mas fazer o que, cigarro não faz milagre,
chegou em casa e se viu nos mesmos dilemas, a mesma parede... Droga,
está na lista de prioridades pintar a parede, a madeira prende os delírios,
limita a reflexão. Talvez pinte de bonina. Ele não gostava de bonina, dizia
que essa cor não existia. Talvez ela não existisse pra ele.
Talvez não significou nada... 
Talvez significou tanto que ele não soube como encarar.. 
Tragou mais uma vez, se lembrou daquele amasso que a sua pele nunca esqueceu
de pedir. Chegou a sentir o vapor, o desejo em carne viva daquele corpo que
ela conhece tão bem, mas não o suficiente. 
Ora, vá lá, não conhecia nem o dele, que não gostava de bonina. 
E olha que o outro, o desejo, gosta de tudo..

segunda-feira, 8 de março de 2010

Co-tidiano.


 
Passam os prédios, o tempo, os postes
A vida gasta as solas dos sapatos,
Os laços enrolam a fé em novos abraços
Pessoas, perdidas, pedidos, partidos
São os corações que acreditam
Como fênix voltam a ver os olhos
Os prédios, o tempo, os postes
Tormento. Constante. Vivendo
E sobram os sagrados momentos de alegria
Imploro! Mantenha-os intactos.

Ode a John Keats

 Nunca gostei de poemas, nunca os entendi. Aí me vem John Keats, e ainda por cima, interpretado pelo meu eterno Jean Baptiste-Grenouille - o ator Ben Wishaw.
Na minha fase de vício em filmes não-blockbuster, eu encontrei essa pérola:
 Bright Star. O filme é baseado na história de John Keats foi um dos maiores poetas românticos da história, e o seu amor por sua vizinha, Fanny Brawne é mais do que tocante. Um amor intenso, mas leve aos olhos de quem vê. Nunca fui de melosidades amorosas, mas dessa vez, fiquei encantada com o respeito, a reciprocidade, a leveza e a pureza da relação.
 
  O vídeo acima é um dos trechos do filme que mais agradaram... meu tudo. Díficil escolher apenas um, mas indico o filme à todos que apreciam o bom romance, e a leveza das palavras.

  Me leva pra muito longe do século XXI onde tudo parece tão perdido, todo amor banalizado e os laços, os relacionamentos tão medíocres e sem luz.
  As cartas e poemas de Keats, somados à brilhante trilha sonora do filme, e a atuação magnífica do meu favorito, Ben Wishaw.
Flutuo nas nuvens da minha esperança. Não me atrevo a pedir por um romance como o de John e Fanny, mas um pouquinho de cumplicidade e nobreza entre duas pessoas nunca é demais!


Abaixo, fica uma das cartas de John endereçadas à Fanny, para os mais pacientes e românticos.

July 8th
My sweet girl,Your Letter gave me more delight, than any thing in the world but yourself could do; indeed I am almost astonished that any absent one should have that luxurious power over my senses which I feel. Even when I am not thinking of you I receive your influence and a tenderer nature steeling upon me. All my thoughts, my unhappiest days and nights have I find not at all cured me of my love of Beauty, but made it so intense that I am miserable that you are not with me: or rather (ou melhor), breathe in that dullsort of patience that cannot be called Life. I never knew before, what such a love as you have made me feel, was; I did not believe in it; my Fancy was afraid of it, lest it should burn me up . But if you will fully love me, though there may be some fire, 'twill not be more than we can bear when moistened and bedewed with Pleasures. You mention 'horrid people' and ask me whether it depend upon them whether I see you again. Do understand me, my love, in this. I have so much of you in my heart that I must turn Mentor when I see a chance of harm befalling you. I would never see any thing but Pleasure in your eyes, love on your lips, and Happiness in your steps. I would wish to see you among those amusements suitable to your inclinations and spirits; so that our loves might be a delight in the midst of Pleasures agreeable enough, rather than a resource from vexations and cares. But I doubt much, in case of the worst, whether I shall be philosopher enough to follow my own Lessons: if I saw my resolution give you a pain I could not. Why may I not speak of your Beauty, since without that I could never have lov'd you. I cannot conceive any beginning of such love as I have for you but Beauty. There may be a sort of love for which, without the least sneer at it  I have the highest respect and can admire it in others: but it has not the richness, the bloom , the full form, the enchantment of love after my own heart. So let me speak of your Beauty, though to my own endangering ; if you could be so cruel to me as to try elsewhere its Power. You say you are afraid I shall think you do not love me - in saying this you make me ache the more to be near you. I am at the diligent use of my faculties here, I do not pass a day without sprawling some blank verse or tagging some rhymes; and here I must confess, that, (since I am on that subject,) I love you the more in that I believe you have liked me for my own sake and for nothing else. I have met with women whom I really think would like to be married to a Poem and to be given away by a Novel. I have seen your Comet, and only wish it was a sign that poor Rice would get well whose illness makes him rather a melancholy companion: and the more so as so to conquer his feelings and hide them from me, with a forc'd Pun. I kiss'd your Writing over in the hope you had indulg'd me by leaving a trace of honey - What was your dream? Tell it me and I will tell you the interpretation threreof.
Ever yours, my love!
John Keats.

"Volta comigo?"

Os sentimentos já são outros, os que eu queria transferir para cá. Mas vou seguir uma ordem lógica, abrindo um parênteses aqui ou ali com o que acontece no agora.
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Você está nua em frente à porta, e a nevasca não sente dó alguma do seu corpo ou seu estado de espírito. É ele, entrando com tudo e esquecendo a porta aberta, como se o frio congelante não fosse hora ou outra acabar te matando. Também, ele sempre foi desleixado, porque mudaria agora?
Mudaria? Disse que por você largaria a opinião dos amigos, o desleixo,os vícios...Mudaria?
E muda também as estações, as vontades, e você já sente que não precisa dele. Mas aí vem o seu corpo, sua pele arrepiada para te lembrar que quando ele te toca, você esquece o calor de uns e se joga no frio que a presença incompleta dele traz.
O eco da sua voz "volta comigo", susurrando no seu ouvido, no seu corpo, nas suas mãos ocupadas com as costas dele. "Eu quero é você, e só".
De madrugada, lê-se no celular: "Lembra, quando você quiser é só procurar. Eu te amo demais"
E dos seus lençois* rolam pérolas, e não se sabe se o som oco que fazem quando batem no chão é de saudade, indiferença, ou dúvida.

*
Ler "ah, esse fogo que arde", postagens antigas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Arrepio.

Se sentiu má, mas se sentiu bem. 
À flor da pele, no escuro da alma, de onde vem e o que são 
essas sensações que passam como trem, 
mas de tão rápido não se vê a carga?

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ponto Final II


Cada lagrima que cai aumenta 
ainda mais a distancia entre um e outro. 
Como se fosse o sistema métrico dos malditos "corações solitários". 
1Lg=metros, e maos, e pele, e rosto de distancia 
de quem levou embora parte de você, sem notar. 
Cada suspiro mede o desespero ridiculo, a vontade de
dizer "volta", e a falta de esperança que diferencia você dele. 
Quem inventou que existe sempre uma luz no final do túnel
não sabe o quanto é grande o caminho, nem o quão difícil 
é se manter sob controle no escuro. 

Ponto final I


  
Things seems to have lost their limits.
O chocolate esta amargo, 
a comida não é nem ao menos fácil de engolir hoje; 
e as cores parecem pontas de facas indo contra cada parte de mim. 
Com os pés prensados contra o vão da porta, me afogo na canela movediça. 
Pensei que essa sensação nao viria. não sabia que ainda queria beijá-ló na boca, 
até não  poder mais.Passei a gostar mais dos morros perto da minha casa, 
a gostar menos de olhos verdes e pessoas altas. Porque tudo que me lembrar dele
agora vai parecer abismo, ponta de faca. 
As cores estão realmente me perturbando, e o amargo do chocolate está me pirando.
Ponto final.