Listen to your apartment's hall
Can you hear me coming?
Can you hear you listening
to the imaginary steps
You hear the elevator's going up?
And I'll ask you
Is that me?
Can you hear you wonder
Is that me?
Can you hear this humming?
There are many birds out there
Thiere's a blue bird in my heart, Bukowski said
How would we like to ask him to go fuck himself
But we can't, can we?
Can you?
Can you hear this humming message
Can you listening to this humming?
Achar nesse blog ou em links próximos:
.
É preciso estar atento e forte: a má notícia é que as coisas mudam. Calma, a boa notícia é que as coisas mudam.
No meio disso tudo, eu escrevo...
No meio disso tudo, eu escrevo...
domingo, 21 de maio de 2017
sábado, 8 de abril de 2017
Lamento do Marginal Bem Sucedido - O grande amor e tudo que vem depois.
Valorizem seu primeiro amor.
Especialmente se você for o primeiro amor também. O coração das pessoas é coisa frágil. E o amor tem dessas coisas né, faz parecer forte...Às vezes faz ser forte. Mas as tripas cardíacas se contorcem todas, viram açúcar diante de quem se ama... Não as desgaste de todo, contudo. Elas vão precisar trabalhar muito ainda. Duvida? Então deixa eu te contar uma história.
Ou uma parte dela. A parte toda levaria meses... da minha parte. Da outra parte, quem sabe? Da nossa, talvez uma vida... Que não levamos. Na verdade eu vou contar a história depois da história... A história das histórias, partindo do fim - não do amor, mas da promessa de entrega entre dois primeiros amores.
Eu tive meu primeiro grande amor aos 16 anos. As pessoas me diziam "que bobagem!", "Isso vai passar!", "Você ainda vai encontrar muita gente e vai descobrir o que é amar de verdade". Estavam certos sobre a última coisa: eu conheci muita gente depois do meu primeiro amor. E de fato, descobri o que era amar de verdade...Com 16 anos. Com os anos se passando e a nossa história conturbada se desenhando torta, mas firme (de uma forma meio elástica, vamos pôr assim); depois torta e diluindo-se; e hoje diluída e forte. E torta. E bonita. E triste. E tudo que as boas histórias de amor merecem. Eu conheci muita gente depois, durante ou ainda - como quiser para seguir com esse texto sem entrar num vórtex de gatilhos pessoais - essa história de amor.
Acho que o detalhe mais relevante pra se entender o que quero dizer, é conseguir digerir no âmago quando digo "história". Não vou vender o truque, mas adianto algumas dicas: história faz parte do passado. E do presente. Na faculdade a gente aprende um bocado importante sobre memória, identidade e projeto; passado presente e futuro. Isso tem tudo a ver.
Falo da história de um grande amor, e não de um relacionamento vivido; propriamente, no dia-a-dia, no suor, no contar cronológico e constante do desesperador senhor-de-todas-as-coisas, o tempo.
Bom, vamos voltar ao foco de porquê valorizar esse amor - por mais inteiro ou despedaçado que ele esteja. E ele é dinâmico, tá? Pode mudar em alguns meses, em alguns dias, amanhã ou no fim desse texto. Na verdade tenho percebido que quanto maior a distância(temporal, espacial, emocional o que seja!) mais volátil ele fica. Afinal, como a academia me ensinou bem (algumas boas coisas tinha que ensinar, não é mesmo?), a memória é uma ilha de edição... o que guardamos ou não, valorizamos ou repudiamos; voluntária ou involuntariamente do nosso passado constrói o presente; e esse processo é a base para se projetar um futuro, um plano, um ideal... Estão me acompanhando? É difícil, eu sei. Mas quem já amou sabe do que estou falando, se parar um pouquinho só pra pensar a respeito.
E quanto mais dimensões de distância, mais "se's" aparecem. Ahh o "se", o maior monstro já criado pelo tão valorizado atributo de pensar, assimilar, criticar; enfim, editar nosso software mental-emocional (só o budismo me salva!). E eis a questão de tudo: o "se" não existe. Ele é enorme, pesado, louco, incontrolável...e inexistente como coisa palpável. Ele é como o maldito "narrado exodiegético" do cinema: está em tudo que diz respeito ao tema, e em nada ao mesmo tempo; é o próprio produto invisível; as várias possibilidades cujas escolhas constroem o filme. Opa, a história! Viu como bate? A história dos grandes amores são cheias de se's... E esse instrumento inexistente tem como maior opositor o que de fato transcorre-se: os vários não-se's. Vou voltar a facilitar, que o assunto já não é coisa fácil de ler nem escrever nem sentir: recapitulando - Valorize o seu primeiro amor. Porque dele brotam todos os outros...
É o fim - não do amor, reitero quantas vezes for necessário!Ele não acaba nunca até onde eu pude experimentar; mas o fim enfim da tal promessa que os que amam fazem enquanto há esforços para alimentarem esse amor -; pois bem, esse fim é o mapa natal do que serão suas próximas relações. E mesmo que elas não sejam ainda -ou nunca venham a ser, qual o problema? - amor, elas são profundamente, violentamente, sabiamente, dolorosamente impactadas pela sua primeira experiência com o amor.
E não adianta comparar o que vier depois: é injusto e infrutífero. Nada será como aquilo. O que não quer dizer que não serão bons, ou igualmente importante na sua vida os demais acontecimentos - ainda bem! Mas existem coisas que ouso chutar que só o primeiro amor te ensina, e elas vão incorporar-se à quem você é - você, essa coisa também absolutamente dinâmica, terá uma constante dinâmica (louco isso, né?) que é o infinito impacto do amor em tudo que você se propõe a se envolver verdadeiramente.
Parece catastrófico, mas na verdade é construtivo, sabe? Com o passar do tempo você -bom, pelo menos eu, e creio não estar sozinha nessa como não estamos em quase nada - vai percebendo que o "se" é uma bobagem, que tudo é exatamente como tem que ser. Às vezes é pra reencontrar aquele primeiro amor em um outro momento, em outra construção, outro estado... Às vezes ele já cumpriu sua parte na sua jornada e te entregou - mais ou menos preparado - para outros braços; abraços, línguas, corpos suor pensamento fluxos, enfim, pessoas outras. Se cabe uma observação de página necessária aqui mesmo, reflexo do raciocínio: não renegue o primeiro amor dos outros. Ele vai dizer muito sobre essa pessoa, ele é MUITO importante pra essa outra pessoa, pra quem ela é hoje, pro que ela quer ser, o que ela quer construir, o que ela dá conta de construir no momento...
O amor faz crescer, sempre. Isso não quer dizer que ele te faz bem sempre, muito menos que você vai evoluir para um estado melhor. Mas mais experiente, sim - afinal, é uma baita experiência, não é? O amor faz crescer - aí vem a coisa mais doida, a serpente-que-morde-o-próprio-rabo desse tema inesgotável e inexplicável em exatidão e completude que é o amor: o amor faz florescer mais amor. É, aquele clichê mesmo! É real! Quem diria! Patentear essa pólvora é tolice, então sigamos:.
"Mas Ninha, eu tive um amor tão forte, tão único, tão arrebatador que acho que depois dele não amarei da mesma forma de novo!". É, tem razão. Não vai mesmo. Mas vai amar de formas arrebatadoramente incríveis. Vai, no mínimo, se apaixonar e lidar com essas paixões de forma diferente. É outra fase de experiências... E eu, pelo pouco muito que sei, pelas boas paixões, marcantes paixões, inúmeras paixões que tive desde o meu grande primeiro amor, tenho essa tranquilidade: a dor, vazio ou seja qual for o sentimento que abate em cada um de não continuar uma relação com seu grande ó descoberto primeiro amor não passa despercebida pelo mistério do universo. Tem uma contrapartida que faz girar a roda da vida, a nossa engrenagem interior que é se não tão potente, no mínimo muito e suficientemente funcional: a possibilidade de amar de novo. De se apaixonar de novo. De conhecer outros seres humanos (tô partindo desse princípio, ok) em profundidade, intensidade, com energia renovada ou, pelo menos, resgatada. Bem possível que a primeira fagulha desse motor foi com seu primeiro grande amor? Sim. Talvez com sua mãe.Freud tenta explicar. O que importa (aliás, vai saber o que importa! mas fica a intenção), no final das contas e desse enorme texto, é o alívio do que já se passou e um motivo pra continuar.
Valorizem seu primeiro amor! Mas não pare nele. Não parem de amar por conta dele...Há tanto amor ainda! Há tanto amor ainda... Há tanto amor!Há tanto amor pra viver...
Especialmente se você for o primeiro amor também. O coração das pessoas é coisa frágil. E o amor tem dessas coisas né, faz parecer forte...Às vezes faz ser forte. Mas as tripas cardíacas se contorcem todas, viram açúcar diante de quem se ama... Não as desgaste de todo, contudo. Elas vão precisar trabalhar muito ainda. Duvida? Então deixa eu te contar uma história.
Ou uma parte dela. A parte toda levaria meses... da minha parte. Da outra parte, quem sabe? Da nossa, talvez uma vida... Que não levamos. Na verdade eu vou contar a história depois da história... A história das histórias, partindo do fim - não do amor, mas da promessa de entrega entre dois primeiros amores.
Eu tive meu primeiro grande amor aos 16 anos. As pessoas me diziam "que bobagem!", "Isso vai passar!", "Você ainda vai encontrar muita gente e vai descobrir o que é amar de verdade". Estavam certos sobre a última coisa: eu conheci muita gente depois do meu primeiro amor. E de fato, descobri o que era amar de verdade...Com 16 anos. Com os anos se passando e a nossa história conturbada se desenhando torta, mas firme (de uma forma meio elástica, vamos pôr assim); depois torta e diluindo-se; e hoje diluída e forte. E torta. E bonita. E triste. E tudo que as boas histórias de amor merecem. Eu conheci muita gente depois, durante ou ainda - como quiser para seguir com esse texto sem entrar num vórtex de gatilhos pessoais - essa história de amor.
Acho que o detalhe mais relevante pra se entender o que quero dizer, é conseguir digerir no âmago quando digo "história". Não vou vender o truque, mas adianto algumas dicas: história faz parte do passado. E do presente. Na faculdade a gente aprende um bocado importante sobre memória, identidade e projeto; passado presente e futuro. Isso tem tudo a ver.
Falo da história de um grande amor, e não de um relacionamento vivido; propriamente, no dia-a-dia, no suor, no contar cronológico e constante do desesperador senhor-de-todas-as-coisas, o tempo.
Bom, vamos voltar ao foco de porquê valorizar esse amor - por mais inteiro ou despedaçado que ele esteja. E ele é dinâmico, tá? Pode mudar em alguns meses, em alguns dias, amanhã ou no fim desse texto. Na verdade tenho percebido que quanto maior a distância(temporal, espacial, emocional o que seja!) mais volátil ele fica. Afinal, como a academia me ensinou bem (algumas boas coisas tinha que ensinar, não é mesmo?), a memória é uma ilha de edição... o que guardamos ou não, valorizamos ou repudiamos; voluntária ou involuntariamente do nosso passado constrói o presente; e esse processo é a base para se projetar um futuro, um plano, um ideal... Estão me acompanhando? É difícil, eu sei. Mas quem já amou sabe do que estou falando, se parar um pouquinho só pra pensar a respeito.
E quanto mais dimensões de distância, mais "se's" aparecem. Ahh o "se", o maior monstro já criado pelo tão valorizado atributo de pensar, assimilar, criticar; enfim, editar nosso software mental-emocional (só o budismo me salva!). E eis a questão de tudo: o "se" não existe. Ele é enorme, pesado, louco, incontrolável...e inexistente como coisa palpável. Ele é como o maldito "narrado exodiegético" do cinema: está em tudo que diz respeito ao tema, e em nada ao mesmo tempo; é o próprio produto invisível; as várias possibilidades cujas escolhas constroem o filme. Opa, a história! Viu como bate? A história dos grandes amores são cheias de se's... E esse instrumento inexistente tem como maior opositor o que de fato transcorre-se: os vários não-se's. Vou voltar a facilitar, que o assunto já não é coisa fácil de ler nem escrever nem sentir: recapitulando - Valorize o seu primeiro amor. Porque dele brotam todos os outros...
É o fim - não do amor, reitero quantas vezes for necessário!Ele não acaba nunca até onde eu pude experimentar; mas o fim enfim da tal promessa que os que amam fazem enquanto há esforços para alimentarem esse amor -; pois bem, esse fim é o mapa natal do que serão suas próximas relações. E mesmo que elas não sejam ainda -ou nunca venham a ser, qual o problema? - amor, elas são profundamente, violentamente, sabiamente, dolorosamente impactadas pela sua primeira experiência com o amor.
E não adianta comparar o que vier depois: é injusto e infrutífero. Nada será como aquilo. O que não quer dizer que não serão bons, ou igualmente importante na sua vida os demais acontecimentos - ainda bem! Mas existem coisas que ouso chutar que só o primeiro amor te ensina, e elas vão incorporar-se à quem você é - você, essa coisa também absolutamente dinâmica, terá uma constante dinâmica (louco isso, né?) que é o infinito impacto do amor em tudo que você se propõe a se envolver verdadeiramente.
Parece catastrófico, mas na verdade é construtivo, sabe? Com o passar do tempo você -bom, pelo menos eu, e creio não estar sozinha nessa como não estamos em quase nada - vai percebendo que o "se" é uma bobagem, que tudo é exatamente como tem que ser. Às vezes é pra reencontrar aquele primeiro amor em um outro momento, em outra construção, outro estado... Às vezes ele já cumpriu sua parte na sua jornada e te entregou - mais ou menos preparado - para outros braços; abraços, línguas, corpos suor pensamento fluxos, enfim, pessoas outras. Se cabe uma observação de página necessária aqui mesmo, reflexo do raciocínio: não renegue o primeiro amor dos outros. Ele vai dizer muito sobre essa pessoa, ele é MUITO importante pra essa outra pessoa, pra quem ela é hoje, pro que ela quer ser, o que ela quer construir, o que ela dá conta de construir no momento...
O amor faz crescer, sempre. Isso não quer dizer que ele te faz bem sempre, muito menos que você vai evoluir para um estado melhor. Mas mais experiente, sim - afinal, é uma baita experiência, não é? O amor faz crescer - aí vem a coisa mais doida, a serpente-que-morde-o-próprio-rabo desse tema inesgotável e inexplicável em exatidão e completude que é o amor: o amor faz florescer mais amor. É, aquele clichê mesmo! É real! Quem diria! Patentear essa pólvora é tolice, então sigamos:.
"Mas Ninha, eu tive um amor tão forte, tão único, tão arrebatador que acho que depois dele não amarei da mesma forma de novo!". É, tem razão. Não vai mesmo. Mas vai amar de formas arrebatadoramente incríveis. Vai, no mínimo, se apaixonar e lidar com essas paixões de forma diferente. É outra fase de experiências... E eu, pelo pouco muito que sei, pelas boas paixões, marcantes paixões, inúmeras paixões que tive desde o meu grande primeiro amor, tenho essa tranquilidade: a dor, vazio ou seja qual for o sentimento que abate em cada um de não continuar uma relação com seu grande ó descoberto primeiro amor não passa despercebida pelo mistério do universo. Tem uma contrapartida que faz girar a roda da vida, a nossa engrenagem interior que é se não tão potente, no mínimo muito e suficientemente funcional: a possibilidade de amar de novo. De se apaixonar de novo. De conhecer outros seres humanos (tô partindo desse princípio, ok) em profundidade, intensidade, com energia renovada ou, pelo menos, resgatada. Bem possível que a primeira fagulha desse motor foi com seu primeiro grande amor? Sim. Talvez com sua mãe.Freud tenta explicar. O que importa (aliás, vai saber o que importa! mas fica a intenção), no final das contas e desse enorme texto, é o alívio do que já se passou e um motivo pra continuar.
Valorizem seu primeiro amor! Mas não pare nele. Não parem de amar por conta dele...Há tanto amor ainda! Há tanto amor ainda... Há tanto amor!Há tanto amor pra viver...
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Epitáfio antecipado ou manual de como me homenagear na partida
Se eu morrer, quero continuar viva como quem não sabem o paradeiro, sem pagar pelos direitos autorais do mistério, mas tão qual Belchior.
Aliás, toquem Belchior pra se despedirem de mim!
Antes eu dizia que não queria lágrimas, só amigos no buteco reunidos contando casos, rindo o máximo que puderem, soltando suas impressões entre goles e cigarros, sem me santificar ou demonizar, mas sinceros no que sabiam e viveram de mim. Sempre fui de preferir a honestidade, né, até a mais amarga é bonita só por ser verdadeira. Tenho um problema com o que é falso, mas isso é afirmação muito simplista. Abro exceções poéticas, por exemplo: quando eu me for, vou pra Bahia, pra algum canto remoto de países africanos, peguei um barco com vista pra Grécia... Inventem histórias. Que fui astróloga e numeróloga profissional (quem sabe serei), atendendo todo tipo de gente num quintal de portas abertas. Que fui salvar pessoas, ou perturbar quem matam outras, seja com revólveres ou leis. Que resolvi ser atriz de mim mesma e fui viver nômade novos personagens. Que entrei pro circo. Que fui viver das coisas que a natureza dá, fazendo e vendendo incensos místicos. Que sejam várias versões, o importante é serem boas ou ridículas de dar risada. Só não me deixem partir medíocre.
E tomara que eu não me deixe fazer o mesmo.
Hoje eu mudo o pedido: que tenham sim lágrimas, por favor, se eu tiver o mérito de conquistá-las. Um bom silêncio basta. Deixem que ele seja preenchido pela memória do meu incessante prazer de falar. Nesse dia, eu vou estar, acima de tudo, escutando. Nesse dia espero que chova. Em um 2 de Novembro escutei num terreiro que chove no dia dos finados pra lavar as almas. Achei bonito. A data do meu aniversário é rodeada de significados que me exprimem bem. Que a data da minha morte tenha sua dose de significado também.
E pros mais sentimentais, que fique nas mentiras de vocês um alento pra saudade verdadeira, de que eu só fui por aí e volto já. Quem sabe eu volto. Quem sabe eu nunca mais vou embora... Se eu puder, eu vou partir várias vezes em vida, e nunca mais vou embora de algum lugar enquanto esse lugar viver...
E pelamor, não coloquem meu nome de registro quando a data da entrega definitiva vier! Sempre fui uma mistura de como me denomino e de como me chamam. Não poderia ser diferente... Deixem as letras de certidões para os burocratas. Pra mim, todas as boas coisas que seus papéis não compram. Matem o capitalismo na minha morte. Anarquizem seus sentimentos quando pensarem em mim. Se reúnam como nunca se reuniram através de mim - deixem eu ser ponte.
Sei que não faço pedidos de todo fáceis, mas penso que é absolutamente difícil ser esquecida. Cabeça dura e com fé na capacidade de vocês, eu peço gentilmente... Me salvem desse mal. Desejo, contudo, que mesmo que difícil, seja suave.Espero que esquecer também.
Aliás, toquem Belchior pra se despedirem de mim!
Antes eu dizia que não queria lágrimas, só amigos no buteco reunidos contando casos, rindo o máximo que puderem, soltando suas impressões entre goles e cigarros, sem me santificar ou demonizar, mas sinceros no que sabiam e viveram de mim. Sempre fui de preferir a honestidade, né, até a mais amarga é bonita só por ser verdadeira. Tenho um problema com o que é falso, mas isso é afirmação muito simplista. Abro exceções poéticas, por exemplo: quando eu me for, vou pra Bahia, pra algum canto remoto de países africanos, peguei um barco com vista pra Grécia... Inventem histórias. Que fui astróloga e numeróloga profissional (quem sabe serei), atendendo todo tipo de gente num quintal de portas abertas. Que fui salvar pessoas, ou perturbar quem matam outras, seja com revólveres ou leis. Que resolvi ser atriz de mim mesma e fui viver nômade novos personagens. Que entrei pro circo. Que fui viver das coisas que a natureza dá, fazendo e vendendo incensos místicos. Que sejam várias versões, o importante é serem boas ou ridículas de dar risada. Só não me deixem partir medíocre.
E tomara que eu não me deixe fazer o mesmo.
Hoje eu mudo o pedido: que tenham sim lágrimas, por favor, se eu tiver o mérito de conquistá-las. Um bom silêncio basta. Deixem que ele seja preenchido pela memória do meu incessante prazer de falar. Nesse dia, eu vou estar, acima de tudo, escutando. Nesse dia espero que chova. Em um 2 de Novembro escutei num terreiro que chove no dia dos finados pra lavar as almas. Achei bonito. A data do meu aniversário é rodeada de significados que me exprimem bem. Que a data da minha morte tenha sua dose de significado também.
E pros mais sentimentais, que fique nas mentiras de vocês um alento pra saudade verdadeira, de que eu só fui por aí e volto já. Quem sabe eu volto. Quem sabe eu nunca mais vou embora... Se eu puder, eu vou partir várias vezes em vida, e nunca mais vou embora de algum lugar enquanto esse lugar viver...
E pelamor, não coloquem meu nome de registro quando a data da entrega definitiva vier! Sempre fui uma mistura de como me denomino e de como me chamam. Não poderia ser diferente... Deixem as letras de certidões para os burocratas. Pra mim, todas as boas coisas que seus papéis não compram. Matem o capitalismo na minha morte. Anarquizem seus sentimentos quando pensarem em mim. Se reúnam como nunca se reuniram através de mim - deixem eu ser ponte.
Sei que não faço pedidos de todo fáceis, mas penso que é absolutamente difícil ser esquecida. Cabeça dura e com fé na capacidade de vocês, eu peço gentilmente... Me salvem desse mal. Desejo, contudo, que mesmo que difícil, seja suave.Espero que esquecer também.
domingo, 20 de dezembro de 2015
Turn point
As coisas não andavam bem, e god knows eu não descanso até conseguir entender e mudar isso.
Entre entrevistas do TED, conversas sobre estar todo mundo mal e seriados como Master of None, me veio uma ideia. E aí duas. E aí três (talvez meu amigo esteja certo e eu não esteja num blackout criativo, talvez eu tenha várias ideias). É isso, consegui sair do meu ponto de não sentir e não querer nada com paixão.
Então estou criando três mini-jogos pra mim. E pra treinar habilidades que ando mandando mal como definir objetivos, descrever coisas e descobrir meus pontos fracos e fortes, vou escrever o porquê de estar fazendo cada uma.
Lá vai - que o jogo comece.
Entre entrevistas do TED, conversas sobre estar todo mundo mal e seriados como Master of None, me veio uma ideia. E aí duas. E aí três (talvez meu amigo esteja certo e eu não esteja num blackout criativo, talvez eu tenha várias ideias). É isso, consegui sair do meu ponto de não sentir e não querer nada com paixão.
Então estou criando três mini-jogos pra mim. E pra treinar habilidades que ando mandando mal como definir objetivos, descrever coisas e descobrir meus pontos fracos e fortes, vou escrever o porquê de estar fazendo cada uma.
Lá vai - que o jogo comece.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Ressaca. Duas descargas. O problema é a maré. Sempre culpamos a natureza por nossas incapacidades.
Você que se vê tão livre, amarra o que há de mais puro num manual pesado da não-relação (meio, irônico, ein?): até sábado eu não existo, nós somos uma história que você viu acontecer na rua ou em um filme que você não escolheu ver. São 6 dias, depois uma semana, depois vai saber. Eu entendi. Você não.
Você não me escolheu inteira. Eu não escolhi o seu café pequeno.
Sua transbordante cafeína que pinga no que você insiste em considerar um pires; é, eu sinto o calor e o cheiro de conforto, mas espirra amargo em mim.
Prédio.
Prédio prédio prédio versus coração, olhos e mãos; sexo.
Sempre culpamos a natureza por nossas incapacidades. A natureza se tornou o clichê menos praticado.
Prédio. Não cai assim, do dia pro outro. Mas seus significados sim, podem mudar. Você entende dos rituais, preciso explicar? Não, não foi aberto o espaço para explicações nesse manual.
E nós tivemos a porra dos 6 dias, da tal semana. Tivemos tempo.
Você não quis. Mas o fazedor de vídeos não sabe falar isso em voz alta pro público.
Vou facilitar sua escalada e deixar você na sua torre. Se cuida entre as cores.
Você não me escolheu inteira. Eu não escolhi o seu café pequeno.
Sua transbordante cafeína que pinga no que você insiste em considerar um pires; é, eu sinto o calor e o cheiro de conforto, mas espirra amargo em mim.
Prédio.
Prédio prédio prédio versus coração, olhos e mãos; sexo.
Sempre culpamos a natureza por nossas incapacidades. A natureza se tornou o clichê menos praticado.
Prédio. Não cai assim, do dia pro outro. Mas seus significados sim, podem mudar. Você entende dos rituais, preciso explicar? Não, não foi aberto o espaço para explicações nesse manual.
E nós tivemos a porra dos 6 dias, da tal semana. Tivemos tempo.
Você não quis. Mas o fazedor de vídeos não sabe falar isso em voz alta pro público.
Vou facilitar sua escalada e deixar você na sua torre. Se cuida entre as cores.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
"De um lado você é exatamente o que eu queria, de outro você é totalmente impossível."
"De um lado você é exatamente o que eu queria, de outro você é totalmente impossível."
Assinado: mundo.
Ok, evitar os exageros.
Até mesmo pra perceber o não-exagero que pode existir em "exatamente" vindo de você. Parece sério.
É que estou acostumada com a ideia de ser impossível, no que há de bom e ruim para as pessoas. Isso não me assusta, isso não me faz recuar.
Mas por alguma razão me peguei sofrendo por um como não sofria desde a facada-de-cores-trago-amargo-fada-verde-dissolvendo-em-vitamina-C-dos-olhos-de-capitu, e isso me assusta.
Me assusta mais saber que estou disposta a continuar nesse trem, mas um susto positivo (e olha que não sou disso!), por estar me permitindo enfim.
Na outra caixa de texto, essa bem debaixo do nariz, embaixo na janela virtual, na janela dos olhos, a mesma perda. A mesma distância que não propus - e que meu poder em reverter era limitado justamente pelo meu dom de tornar natural tudo o que sai de cada um, ainda que a contragosto.
A mesma paixão arrebatadora da identificação, do poder explosivo mas destrutivo de dois que se querem profundamente, e profundamente se abalam pelo desejo de uma - é, eu, eu eu eu - de querer mais, sempre mais.
Dizem que é melhor ter dois pássaros na mão do que dois voando. Mas detesto simplismos, preto no branco. Os pássaros não são dois, eles não sabem só voar a esmo.
Esmo é o oposto de esmiuçar os detalhes, e isso não quer dizer pirar no desnecessário, nem procurar pelo erro, mas reconhecer os consensos e os dissensos que nos fazem diferentes - como é natural de ser - mas que nos fazem reais e juntos na experiência de viver das maneiras mais bonitas, ou mais justas, ou simplesmente mais confortáveis para seguir esse trilho que todos sabemos, não é fácil nem possível de seguir sozinho.
Mas, de novo, não existem só dois pássaros sobrevoando o trilho. E ainda bem. A dor vem de reconhecer isso num mundo que insiste em criar pop sertanejo sobre o apego, e não sobre o amor. A pena é uma geração de instantâneos que não mergulham nem se deixam sentir a água bater nos corpos. O brilho do que reflete nessa água só é percebida pelos que tem a sensibilidade e a força. A sensibilidade para perceber ao seu entorno, ver (e não somente olhar de relance) os outros (plural, plural!) e a força para saber ser coletivo de peito aberto em um bombardeio de individualismos que se fecham. E se fecham as portas para o que há de mais puro, que de um lado é exatamente o que eu queria, e de outro, totalmente impossível.
Agora - e por muito tempo, talvez? - é decidir: seguir o impossível absorvendo toda essa energia que pulsa do caminho, ou sucumbir à normalidade da mediocridade? Não, não, sucumbir jamais. Me parece mais razoável - pra não admitir ser o único caminho que compreendo - saber o que quer, ainda que não seja alcançável - a alternativa não me satisfaz, o intermediário me é estranho. Não abrirei mão, ainda que partes de mim derretam nas janelas vendo os pássaros escaparem à mão. Encarar o inevitável. A escolha mais honesta. É nessa força que me sustento, na corda da sensibilidade.
Assinado: mundo.
Ok, evitar os exageros.
Até mesmo pra perceber o não-exagero que pode existir em "exatamente" vindo de você. Parece sério.
É que estou acostumada com a ideia de ser impossível, no que há de bom e ruim para as pessoas. Isso não me assusta, isso não me faz recuar.
Mas por alguma razão me peguei sofrendo por um como não sofria desde a facada-de-cores-trago-amargo-fada-verde-dissolvendo-em-vitamina-C-dos-olhos-de-capitu, e isso me assusta.
Me assusta mais saber que estou disposta a continuar nesse trem, mas um susto positivo (e olha que não sou disso!), por estar me permitindo enfim.
Na outra caixa de texto, essa bem debaixo do nariz, embaixo na janela virtual, na janela dos olhos, a mesma perda. A mesma distância que não propus - e que meu poder em reverter era limitado justamente pelo meu dom de tornar natural tudo o que sai de cada um, ainda que a contragosto.
A mesma paixão arrebatadora da identificação, do poder explosivo mas destrutivo de dois que se querem profundamente, e profundamente se abalam pelo desejo de uma - é, eu, eu eu eu - de querer mais, sempre mais.
Dizem que é melhor ter dois pássaros na mão do que dois voando. Mas detesto simplismos, preto no branco. Os pássaros não são dois, eles não sabem só voar a esmo.
Esmo é o oposto de esmiuçar os detalhes, e isso não quer dizer pirar no desnecessário, nem procurar pelo erro, mas reconhecer os consensos e os dissensos que nos fazem diferentes - como é natural de ser - mas que nos fazem reais e juntos na experiência de viver das maneiras mais bonitas, ou mais justas, ou simplesmente mais confortáveis para seguir esse trilho que todos sabemos, não é fácil nem possível de seguir sozinho.
Mas, de novo, não existem só dois pássaros sobrevoando o trilho. E ainda bem. A dor vem de reconhecer isso num mundo que insiste em criar pop sertanejo sobre o apego, e não sobre o amor. A pena é uma geração de instantâneos que não mergulham nem se deixam sentir a água bater nos corpos. O brilho do que reflete nessa água só é percebida pelos que tem a sensibilidade e a força. A sensibilidade para perceber ao seu entorno, ver (e não somente olhar de relance) os outros (plural, plural!) e a força para saber ser coletivo de peito aberto em um bombardeio de individualismos que se fecham. E se fecham as portas para o que há de mais puro, que de um lado é exatamente o que eu queria, e de outro, totalmente impossível.
Agora - e por muito tempo, talvez? - é decidir: seguir o impossível absorvendo toda essa energia que pulsa do caminho, ou sucumbir à normalidade da mediocridade? Não, não, sucumbir jamais. Me parece mais razoável - pra não admitir ser o único caminho que compreendo - saber o que quer, ainda que não seja alcançável - a alternativa não me satisfaz, o intermediário me é estranho. Não abrirei mão, ainda que partes de mim derretam nas janelas vendo os pássaros escaparem à mão. Encarar o inevitável. A escolha mais honesta. É nessa força que me sustento, na corda da sensibilidade.
sábado, 8 de agosto de 2015
Se. Cê. Cesse. Acesse. Aceso. Cedo.
O que teria sido de nós se tivesse ficado, se tivesse voltado?
Seria a mesma coisa, porque não seria: foi. E o que acontece com a gente a vida não negocia:
é arredar o pé pra outro lado e tudo mudaria, e se assim não foi assim teve que ser, que bom!
Que bom que não tenho o seu pescoço quente pra roçar o nariz agora? Não, aah, isso encaixaria perfeitamente no tempo em que me desligo do mundo.
Que bom que não escuto você tocando guitarra ou assobiando uma música qualquer que eu cantei?
Que nada, mesmo se estivesse tentando me concentrar e seu som me desconcentra-se, concentraria na sua presença.
Mas não tenho sua presença - minto, tenho ela aqui num canto pesado mas bonito do peito esquerdo; mas tendo o vento no espaço que poderia estar você me pergunto algumas coisas já criando o compromisso da resposta ser tá tudo bem, foi como tinha que ser. e foi bonito. durou pra sempre naqueles instantes, e quando chegar perto de você desaparecer de vez, te vejo antes.
"Andábamos sin buscarnos pero sabiendo que andábamos para encontrarnos", né?
Eu lembro e você também.
E talvez o mais engraçado - não, engraçado não, cômico porque tem um tempero de tragédia e disritmia - é saber que você também pensa a mesma coisa.
E mesmo assim, não ouço seus pensamentos. No lugar deles está o vento ocupando o espaço da sua presença - Epa, foi só falar, e vejo você.
E aí - isso sim é engraçado.. não, pera, cômicotrágicocomendooprópriorabo de novo - a física perde totalmente o sentido, porque não sei responder se isso é estar ou faltar.
Mas no ctrl c ctrl v do cérebro - e do coração robótico que insistem - pobres! - que tenho, repito: tá tudo bem, foi como tinha que ser. E foi bonito. Durou pra sempre naqueles instantes, e quando chegar perto de você desaparecer de vez, te vejo antes.
Seria a mesma coisa, porque não seria: foi. E o que acontece com a gente a vida não negocia:
é arredar o pé pra outro lado e tudo mudaria, e se assim não foi assim teve que ser, que bom!
Que bom que não tenho o seu pescoço quente pra roçar o nariz agora? Não, aah, isso encaixaria perfeitamente no tempo em que me desligo do mundo.
Que bom que não escuto você tocando guitarra ou assobiando uma música qualquer que eu cantei?
Que nada, mesmo se estivesse tentando me concentrar e seu som me desconcentra-se, concentraria na sua presença.
Mas não tenho sua presença - minto, tenho ela aqui num canto pesado mas bonito do peito esquerdo; mas tendo o vento no espaço que poderia estar você me pergunto algumas coisas já criando o compromisso da resposta ser tá tudo bem, foi como tinha que ser. e foi bonito. durou pra sempre naqueles instantes, e quando chegar perto de você desaparecer de vez, te vejo antes.
"Andábamos sin buscarnos pero sabiendo que andábamos para encontrarnos", né?
Eu lembro e você também.
E talvez o mais engraçado - não, engraçado não, cômico porque tem um tempero de tragédia e disritmia - é saber que você também pensa a mesma coisa.
E mesmo assim, não ouço seus pensamentos. No lugar deles está o vento ocupando o espaço da sua presença - Epa, foi só falar, e vejo você.
E aí - isso sim é engraçado.. não, pera, cômicotrágicocomendooprópriorabo de novo - a física perde totalmente o sentido, porque não sei responder se isso é estar ou faltar.
Mas no ctrl c ctrl v do cérebro - e do coração robótico que insistem - pobres! - que tenho, repito: tá tudo bem, foi como tinha que ser. E foi bonito. Durou pra sempre naqueles instantes, e quando chegar perto de você desaparecer de vez, te vejo antes.
sábado, 21 de março de 2015
eu-termino do futuro
Vejo baianas fazendo oferendas pra Iemanjá
e penso cadê os meus pés no mar?
Penso na dança dos ciganos e nômades
e desejo sair logo desse lugar
Penso em tudo que ainda tenho pra andar
e quão rápido o tempo há de passar
Aposto no futuro esperando que a aposta
dê resultados pra já
Vejo céu e mar balançados
vejo pernas e braços molhados
apertados na rede
se secando pra de novo molhar
vejo diplomas e guardanapos dobrados
na mesa da sala e na mesa do bar
vejo discursos mais apaixonados
e silêncios aprendendo a falar
vejo meios-amores e um amor no meio
e penso quão bom isso pode ser de ruim
o que é que eu tanto faço
pra ser meio amada assim?
vejo caminhos meio traçados
com um milhão de pedaços
a dançarem em volta de mim
espero que tenha mais tempo na vida
espero que a vida tenha mais tempo pra dar
espero que o tempo dilate na felicidade
e deixe a ruindade pra lá
espero que eu pare de esperar
pra que tudo que me espera resolva chegar
e penso cadê os meus pés no mar?
Penso na dança dos ciganos e nômades
e desejo sair logo desse lugar
Penso em tudo que ainda tenho pra andar
e quão rápido o tempo há de passar
Aposto no futuro esperando que a aposta
dê resultados pra já
Vejo céu e mar balançados
vejo pernas e braços molhados
apertados na rede
se secando pra de novo molhar
vejo diplomas e guardanapos dobrados
na mesa da sala e na mesa do bar
vejo discursos mais apaixonados
e silêncios aprendendo a falar
vejo meios-amores e um amor no meio
e penso quão bom isso pode ser de ruim
o que é que eu tanto faço
pra ser meio amada assim?
vejo caminhos meio traçados
com um milhão de pedaços
a dançarem em volta de mim
espero que tenha mais tempo na vida
espero que a vida tenha mais tempo pra dar
espero que o tempo dilate na felicidade
e deixe a ruindade pra lá
espero que eu pare de esperar
pra que tudo que me espera resolva chegar
Claridade e escuridão
Meu cuidado com você é luz enquanto você é escuridão pra mim na irresponsabilidade que tens consigo mesma, irresponsabilidade que pode te custar a vida - por si só, preciosa, e fora da minha uma catástrofe para o nosso final, não havendo poesia pra curar a tragédia prática que isso representaria. Ainda assim - ou mesmo por isso - você é claridade pra mim na sua natureza amável e aberta, um convite pra que eu abra as cortinas entre meus músculos cardíacos e os aparatos mal trabalhados da minha expressão: mãos, abdômen, boca - no seu pacote lábios e voz - sobretudo! A vontade de cuidar e de demonstrar esse cuidado.
Contudo também pesa em mim saber que sem esse meu esforço para demonstrar carinho com mais delicadeza tudo pode ruir, suas intuições elevarem-se a constatações sobre os meus sentimentos em fração de horas. O que trás a leveza para a permanência é, talvez, sua paciência diante da minha falta de tato. É seu olhar de compaixão mútua: por mim, pelo meu esforço que só produz resultados pequenos ou muito lentos; e por si mesma, por continuar esperando por algo que talvez eu não consiga ainda oferecer.
Esse jogo de luz e sombra ainda recai sobre a minha insistência em esclarecer que está tudo bem, o que vem por vezes me distrair ou confundir de forma que eu não vejo o que se esconde. É em algum momento estar desatenta que pronto, cria no mundo das suas ideias desconfianças sobre meu compromisso contigo - compromisso esse que insistimos em divergir, afinal pra mim existe o compromisso com a relação, seja ela aberta, fechada, íntima ou amigável; e o compromisso com a unidade "nós", o que simbolicamente criamos e jamais deixará de existir. Questão é, que se de fato houver algo me perturbando, ainda que infinitamente menor que as perspectivas fatídicas que surgem na sua mente, essa coisa pequena vai acabar sendo revelada antes de eu distinguir com clareza o que é, e essa coisa tomará proporções concretas que eu não delineei, tarefa que fica a bel prazer da sua mente intuitiva numa espécie de vidência perigosa. Perigosa porque na essência a tentativa de me ler não costuma ser bem sucedida ou bem recebida por razões astrológicas várias; mas principalmente porque diante de uma afirmação intuitiva sua a minha não-resposta que é tão somente um não-saber se torna uma não-negação e pronto, a afirmação ganha tons de verdade sem que eu possa refutar. E uma vez tida como verdade, eu gastarei energia analisando essa verdade segunda, quando poderia estar, desde o princípio, focada em matar demônios menores que se transformaram, em fração de horas,
A expectativa nos seus olhos é pra mim então a luz da esperança olhando de longe a fenda escura da distância do nosso emocional. É portanto o nosso ritual de carinho a mais dual das coisas: luz e sombra, por ser vontade mas, sumariamente, necessário; voluntário porém exigido, verdadeiro porém exaltado para cobrir possíveis dissonâncias.
No seu gole de cerveja explode o alívio nos olhos alheios (ah, como é cômodo o existir do outro não nos afligir, não é?), bem alheios ao que percebe meu olhar nas sombras que vê a fuga, e já não és mais luz.
Sobe o seu sorriso até os cantos pela reafirmação da minha presença e o mesmo fio do seu rosto faz cair a alegria quando lembra da minha futura ausência.
Te engrandece os avanços na nossa relação não tradicional, e te diminui a não completude do esforço emocional que isso carrega.
E como num encontro de cegos, nos tateamos no escuro e admiramos nossas silhuetas na contra-luz, aproveitando os pedaços uma da outra, nos admirando e nos reconfortando quando nossos vincos se encaixam. E esperando o mistério de quando os olhos se abrirem em novos horizontes.
(Texto iniciado no meio do túnel e finalizado hoje, na saída metafórica, no êxtase do epitáfio, depois do silêncio, do soluço, do respiro e do descanso)
Contudo também pesa em mim saber que sem esse meu esforço para demonstrar carinho com mais delicadeza tudo pode ruir, suas intuições elevarem-se a constatações sobre os meus sentimentos em fração de horas. O que trás a leveza para a permanência é, talvez, sua paciência diante da minha falta de tato. É seu olhar de compaixão mútua: por mim, pelo meu esforço que só produz resultados pequenos ou muito lentos; e por si mesma, por continuar esperando por algo que talvez eu não consiga ainda oferecer.
Esse jogo de luz e sombra ainda recai sobre a minha insistência em esclarecer que está tudo bem, o que vem por vezes me distrair ou confundir de forma que eu não vejo o que se esconde. É em algum momento estar desatenta que pronto, cria no mundo das suas ideias desconfianças sobre meu compromisso contigo - compromisso esse que insistimos em divergir, afinal pra mim existe o compromisso com a relação, seja ela aberta, fechada, íntima ou amigável; e o compromisso com a unidade "nós", o que simbolicamente criamos e jamais deixará de existir. Questão é, que se de fato houver algo me perturbando, ainda que infinitamente menor que as perspectivas fatídicas que surgem na sua mente, essa coisa pequena vai acabar sendo revelada antes de eu distinguir com clareza o que é, e essa coisa tomará proporções concretas que eu não delineei, tarefa que fica a bel prazer da sua mente intuitiva numa espécie de vidência perigosa. Perigosa porque na essência a tentativa de me ler não costuma ser bem sucedida ou bem recebida por razões astrológicas várias; mas principalmente porque diante de uma afirmação intuitiva sua a minha não-resposta que é tão somente um não-saber se torna uma não-negação e pronto, a afirmação ganha tons de verdade sem que eu possa refutar. E uma vez tida como verdade, eu gastarei energia analisando essa verdade segunda, quando poderia estar, desde o princípio, focada em matar demônios menores que se transformaram, em fração de horas,
A expectativa nos seus olhos é pra mim então a luz da esperança olhando de longe a fenda escura da distância do nosso emocional. É portanto o nosso ritual de carinho a mais dual das coisas: luz e sombra, por ser vontade mas, sumariamente, necessário; voluntário porém exigido, verdadeiro porém exaltado para cobrir possíveis dissonâncias.
No seu gole de cerveja explode o alívio nos olhos alheios (ah, como é cômodo o existir do outro não nos afligir, não é?), bem alheios ao que percebe meu olhar nas sombras que vê a fuga, e já não és mais luz.
Sobe o seu sorriso até os cantos pela reafirmação da minha presença e o mesmo fio do seu rosto faz cair a alegria quando lembra da minha futura ausência.
Te engrandece os avanços na nossa relação não tradicional, e te diminui a não completude do esforço emocional que isso carrega.
E como num encontro de cegos, nos tateamos no escuro e admiramos nossas silhuetas na contra-luz, aproveitando os pedaços uma da outra, nos admirando e nos reconfortando quando nossos vincos se encaixam. E esperando o mistério de quando os olhos se abrirem em novos horizontes.
(Texto iniciado no meio do túnel e finalizado hoje, na saída metafórica, no êxtase do epitáfio, depois do silêncio, do soluço, do respiro e do descanso)
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